Antes da cirurgia: o que preparar
Interrompa o uso de aspirina, ibuprofeno, naproxeno, óleo de peixe, vitamina E, ginseng e ginkgo por 7 a 10 dias. Evite o consumo de álcool por 48 horas. Compareça com o rosto limpo: sem maquiagem, sem lentes de contato, sem cílios postiços e sem extensões. Traga fotos suas de alguns anos atrás, se possível; o cirurgião as utilizará para avaliar o grau de evolução da sua ptose ao longo do tempo. Se você usa lentes de contato rígidas, mencione isso na consulta; o uso prolongado de lentes rígidas é um fator reconhecido que contribui para a ptose aponeurótica adquirida, e o plano cirúrgico pode ser diferente.
O dia da cirurgia
A correção da ptose é realizada sob anestesia local com sedação leve, tem duração total de 60 a 90 minutos para a correção bilateral, sendo mais longa em casos unilaterais complexos ou assimétricos, e o paciente recebe alta no mesmo dia. A técnica utilizada (ressecção do músculo de Müller para casos leves, avanço ou ressecção do músculo elevador para casos moderados e sling do músculo frontal para casos graves) é determinada pela avaliação da função do músculo elevador realizada na consulta. Você sai com pontos ao longo do sulco da pálpebra superior e uma aparência ligeiramente mais levantada, o que é intencional, pois o músculo relaxará um pouco à medida que cicatriza.
Dias 1–3: pico do inchaço
O inchaço e os hematomas atingem o pico no segundo ou terceiro dia. O olho pode não fechar completamente durante o sono na primeira semana; isso é normal e esperado, pois a pálpebra foi intencionalmente esticada. Use as lágrimas artificiais e a pomada lubrificante fornecidas pela clínica, especialmente à noite. Aplique compressas frias (10 minutos com, 10 minutos sem) durante as primeiras 48 horas. Mantenha a cabeça elevada sobre dois travesseiros. Não se curve, não levante peso, não consuma alimentos salgados. É normal haver um leve sangramento rosado nas primeiras 24 horas.
Semana 1: retirada dos pontos, os hematomas vão desaparecendo
Os pontos são retirados por volta do 5º ao 7º dia. O olho parece mais aberto do que antes da cirurgia, mas ainda está inchado, e o resultado pode parecer assimétrico se um lado apresentava mais ptose do que o outro (o que quase sempre ocorre). Um lagoftalmia leve, ou seja, a incapacidade de fechar completamente a pálpebra, pode persistir até a segunda semana e é tratada com colírio lubrificante noturno. Os hematomas podem ser disfarçados com maquiagem assim que os pontos forem retirados.
Semanas 2 a 4: de volta ao público
Retorno ao trabalho de escritório e atividades em contato com o público a partir do final da segunda semana. Na maioria dos pacientes, o olho já fecha corretamente por volta da segunda ou terceira semana. O levantamento pode parecer um pouco exagerado, mas isso é intencional e se resolve com o tempo. A assimetria entre os dois olhos pode parecer mais evidente durante as semanas 2 a 4, pois um lado se recupera mais rapidamente do que o outro; normalmente, isso se equilibra por volta do segundo ou terceiro mês. Evite esfregar os olhos por pelo menos 6 semanas. Lentes de contato por volta da 2ª–3ª semana, dependendo da sensibilidade das pálpebras.
Meses 2–3: o inchaço desaparece
A elevação excessiva intencional se estabiliza na altura desejada entre o primeiro e o terceiro mês. Se a pálpebra ficar muito baixa (correção insuficiente), isso ficará evidente até o terceiro mês, e o cirurgião poderá começar a discutir as opções. Se o olho ainda não estiver fechando completamente à noite após o segundo mês, é preciso alertar sobre isso, pois o lagoftalmia persistente pode causar ressecamento da córnea e requer tratamento.
Meses 6 a 12: o resultado final
A posição final da pálpebra é estabelecida por volta do sexto mês na maioria dos pacientes. A técnica de sling do músculo frontal, utilizada em casos graves, leva um pouco mais de tempo para se estabilizar, podendo se estender até o nono mês. As taxas de revisão para correção de ptose são mais elevadas do que para a cirurgia estética de “DES”, pois o comportamento muscular é mais difícil de prever do que o da pele; a subcorreção é o motivo mais comum para a revisão e é avaliada, no mínimo, no sexto mês. A maturação da cicatriz ao longo do sulco palpebral continua até o décimo segundo mês.
Sinais de alerta: quando entrar em contato com a clínica
Ligue para a clínica no mesmo dia se apresentar: inchaço repentino e intenso que deforme o olho; incapacidade persistente de fechar a pálpebra após o 5º dia, acompanhada de sensação de areia nos olhos, ardor ou dor aguda (pode ocorrer lesão na córnea dentro de 48 horas após a exposição; não espere até o 7º dia); alterações na visão que não desapareçam em uma hora; secreção purulenta ou amarelada; febre acima de 38,5 °C; ou uma pálpebra que caia repentinamente bem abaixo da posição cirúrgica (deiscência da sutura). Procure um pronto-socorro em caso de dor ocular intensa e repentina com perda de visão nas primeiras 48 horas. Uma pálpebra que não fecha completamente durante o sono nos primeiros 5 dias, assimetria leve e lacrimejamento intermitente não são sinais de alerta.